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Clavis Universalis: Da Cura em Psicanálise ou Revisão da Clínica

Autor: MD Magno
Editora: NovaMente Editora

Clavis Universalis é o nome com o qual ficou conhecida a tradição renascentista de busca de um saber universal que permitisse, mediante um conjunto de técnicas, apreender a trama da realidade para além das diferenças dos fenômenos. Abandonada depois do sucesso da ciência galileana e newtoniana, essa tradição tem sido silenciosamente renovada no pensamento contemporâneo, seja pelo entendimento genérico da noção de informação por via computacional, seja pelas novas tecnologias, que tornam esse entendimento patente. A Nova Psicanálise vem evidenciar isso ao tomar o princípio da chave universal para situar a estrutura mínima de funcionamento inconsciente: o acolhimento indiferenciante de qualquer emergência sintomática, indiciado a partir da idéia de Revirão, máquina lógica que inscreve todo sim e todo não como situações de alternância ou exclusão, em face da possibilidade de sua indiferenciação. Portanto, a chave universal é o Revirão, que abre as fechaduras no interior das quais as diferenças resistem, e fornece o código de acesso ao modo próprio de operação da psicanálise.

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O mais difícil ou quase impossível de realizar em nosso trabalho é: liberar as áreas colonizadas .

Qual é a dificuldade no pensamento de Marx, por exemplo, de se fazer uma revolução socialista? É menos derrubar as forças colonizadoras do que convencer os
colonizados .

É preciso revoltar-se contra suas próprias convicções, conexões e linkagens. Se não, fica-se com a impressão de estar lutando contra os outros, mas estes vão nos manipular com a maior facilidade .

O esforço tem sido no sentido de armar uma máquina de arrasamento das formações. Ou seja, de supor que uma análise se encaminha no sentido do Originário e é capaz de sustentar um processo perene de esvaziamento das formações .

Não se pode ser psicanalista católico, judeu ou muçulmano .

Impressionou a Étienne de la Boétie o que chamou de Servidão Voluntária. É uma expressão falsa, pois para alguém ter uma servidão voluntária precisará ter consciência de sua servidão e querer entregá-la a outrem. O nome correto é: Alienação Prazerosa .

O Inconsciente é aristocrata e capitalista. Se quiserem lutar contra sua aristocracia ou seu capitalismo, há que reconhecer o que ele é, para então, engajar a luta .

O pessoal dito da esquerda pensa que o Inconsciente é honesto, distributivo e igualitário, e que há uns fdp que ficam tomando os poderes. É o contrário: o inconsciente é mau-caráter .

A lida psicanalítica, no que é analítica, é política .

Com o teorema que venho fabricando, minha intenção é permanecer à espera de que ele contenha em si o processo de sua própria abstração. Meu teorema deve ser autodestrutivo - coisa que muitos não suportam .

Lacan chama a atenção veementemente para que não há outra pulsão, o que é a base de tudo que apresento ao tomar a Pulsão como único conceito fundamental e como única, tendendo à extinção, à aniquilação de seu próprio movimento .

Desde 1980, o século está desbundado, pois sabe-se que se trata de uma luta, mais nada. Então, se vocês estão na doce esperança de encontrar a verdade, podem tirar o cavalinho da chuva. É preciso entender que a opção que se faz é uma política de luta .

Não conseguiremos ficar livres do Estado, não há anarquismo possível. Então, há que viver na luta de recomposição do Estado, que, por definição, pelo menos desde Hegel, é o proprietário do direito de violência .

A Cura é a produção permanente de uma formação militante. Por isso, a análise é infinita .

No sentido de Fernando Pessoa: há duas maneiras de sobrevivermos, a estupidez ou a loucura -, esperamos que o Secundário seja louco, mas ele também fica estúpido como o Primário, então sobra o Originário para pedirmos que enlouqueça as coisas .

Nada mais pragmático do que um místico. O problema é o confundirem com crendices. O místico zera as coisas e, portanto, tem uma grande eficácia. Enquanto os outros pensam aprisionados, ele vai onde quer .

Alienados, antigamente, eram os loucos. Lacan descobre que é todo mundo, ou seja, que a loucura é ampla, geral e irrestrita, não existem senão loucos, com o que concordo plenamente .

Há tempo substitui o Outro pelo Mesmo .

Todas as formações são constituídas da mesma substância, portanto não há alteridade aí e a constituição de cada pessoa não é senão o acúmulo das relações entre as formações, que são todas da mesma constituição .

Não existe psicanálise sem alguém procurar dar conta de sua loucura. A maioria das análises fracassa porque as pessoas pensam que os outros é que são malucos .

Quem produz a análise é o analisando, em função de sua alienação a outrem, em que pode suspeitar que haja indicações de sua própria loucura .

Neurótico vive de futrica .

Mais que em Freud, fica provado em Lacan que é possível ter sucesso onde o paranóico fracassa .

Só faz psicanálise quem faz a psicanálise .

Analista é aquele que faz sua análise e faz a psicanálise .

A coisa mais interessante é descobrir que não se é maluco sozinho, pois quando você é maluco sozinho, está ferrado .

O Inconsciente é da ordem do recalcado, pois, como já repeti diversas vezes, não é senão o excluído, seja qual for a forma de exclusão. Isto é, o Inconsciente é resultado de haver exclusão .

O que é inconsciente é o que resta de qualquer ato de exclusão .

Pensamos usualmente que a função do analista seja só desrecalcar, mas se não forçar o analisando sendo recalcante em certos momentos, a análise não funcionará .

O que deve sobrar de uma análise é: tentativa de eliminação de recalque e produção de Juízo Foraclusivo .

O recalque é a condição de instalação simbólica de um não, que não comparece de saída no Inconsciente .

A inveja de todas as performances de expressão é sempre a da música .

Minha impressão é de que se faz tudo para as crianças ficarem imbecis até tarde, de preferência por toda a vida .

O que quer que se diga é da ordem do conhecimento .

Somos escolarizados em todos os campos do saber, principalmente no da língua, segundo a concepção de sujeito. Isto a ponto de o sujeito gramatical tomar conta de nossa existência: já não somos mais ninguém, apenas um sujeito gramatical .

O nosso é um pensamento em que as formações são campos de força, que se tornam pólos e em que podemos distinguir seu foco e elementos de sua franja, mas não ela toda. Se pensarmos com fronteiras, nada mais tem a ver conosco .

Foi a estupidez humana de dois mil anos de focalização no Mediterrâneo que nos deixou com o vício de eu/objeto, mas isto não existe .

Quem é Eu? É certa formação complexa, composta de inúmeras formações, que eventualmente se focaliza em tal situação .

Nosso problema em análise é desfocar a pessoa que nos procura, e sugerir-lhe outros pólos .

O que há de ruim na cultura ocidental não é ser essa loucura, e sim supor que ela é coincidente com a realidade .

Sem consenso, não há transformação. Consenso não significa que vou convencer o outro das minhas idéias, e sim que um vai achar no outro uma nota comum, nem que seja nas fímbrias da franja, para começar a transar .

A cidade sou eu .

Só interessa a Eu o que é eu. Dirão que estou sendo egoísta, mas isto nada tem a ver com ego. Acontece que tudo se articula sobre esse monstro que é Eu .

Uma vez perguntaram a uma pessoa conhecida qual teria sido, segundo ela, a data mais importante da história. Ela respondeu com sua data de nascimento. Sem esta data, o que tem Eu a ver com essa droga? .

O cristianismo, sobre o sujeito grego, inventa o tal indivíduo, que tem que pagar todas as contas, ir para o céu, para o inferno e permanecer aprisionado numa caixa de eudade individualista. Entretanto, se ele exercer isto, será egoísta .

Não vamos cair nas brebas do orientalismo de que tudo é ilusão, pois as aparências não enganam, só enganam os trouxas. Prestem atenção nelas que (não estão dizendo tudo, mas) estão dizendo algo .

Quando começo a falar de mim, são algumas formações falando de outras. Não existe mim ou si mesmo .

O modo de operação mental é paranóide .

É preciso entender que paranóia não é algo que só alguns têm. Alguns têm psicose paranóica, mas paranóia é modo de conhecer .

Uma formação tem condições de conversar francamente com outra? Não! Tradução não existe. Não há condição de conversar francamente, portanto há desconfiança intrínseca nas formações em relação às outras. Paranóia é isto .

É impossível haver amor perfeito ou transa sincera e honesta entre as pessoas. Franqueza é mentira. Estamos sempre paranóicos em relação ao outro, pois há sempre um não-saber em jogo .

O conceito de alucinação é fundamental no nascimento da psicanálise. A grande sacada de Freud foi perceber que o bebê alucina e que alucinamos as coisas. Alucinamos sempre, e não só de vez em quando .

O cogito é o narcisismo de Descartes .

Não existe a realidade tal como é. É aonde quero conduzir: a alucinação faz parte do conhecimento .

Amar é uma das formas de odiar .

Não há dualidade alguma entre espírito e matéria: é a mesma coisa sempre, comparecendo como formações diferentes .

Qualquer adulto atento percebe que, em sua maluquice interior, os personagens são muitos. Isto, às vezes de época para época ou de situação para situação. Supondo que o corpo biológico permaneça mais ou menos o mesmo pela vida, a Pessoa não é a mesma .

Não há estranheza alguma em falar de dupla ou tripla personalidade, pois é o que todos têm .

Prestem atenção em suas análises e na quantidade de personagens que vocês escondem dos outros para funcionar no meio social como se espera que funcionem segundo o script, o roteiro que foi vencedor na luta pela vida, o qual é reiteradamente falso .

Uma porção de doenças encontradas nas pessoas é doença de grupo, de frequentação de família .

Podemos usar binóculos, microscópios, telescópios, olhos, óculos, aparelhos de escuta, o que quisermos, mas a única coisa que temos são aparências, não há nada mais. Só achamos que as aparências enganam por querer que mostrem o que não mostram .

De qualquer coisa que abordemos, as aparências são o que temos, que não enganam de modo algum. Querer supor que, por trás, há outra coisa, é pedir o que não foi oferecido, o que não se dá naquela aparência, e é também viver de suposições para além de sua ignorância .

O que quer que se diga é da ordem do conhecimento, resta saber qual .

Minha posição é anti-epistemológica: agoraqui o que é possível conhecer pode ser conhecido perfeitamente, o que não é possível conhecer resta na ignorância .

Só há fatos, não há interpretação .

Na clínica, tentamos induzir a produção de fatos. Nada há a interpretar, pois se você tomar o que digo e disser de outra maneira, dirá outra coisa, e não mais o que foi
dito .

Aqui não há sujeito, e sim transa entre formações. Há formações e formações, as quais, quando se encontram, surge conhecimento .

O século XXI está entrando devagarinho na Era de que lhes falo. Daqui a cinqüenta anos, o que estamos vivendo hoje será irreconhecível .

O Ocidente tem uma idéia de progressão que é estúpida .

O que mais vemos é analistas com pensamento jurídico. Querem saber quem tem razão, quem tem culpa. Alguém dá um tiro no outro e o mata. Quem é o assassino? Não sabemos .

O grande golpe parecia ser que a psicanálise trata do psiquismo, o qual é estritamente secundário - o que, ao longo do tempo, à medida que fui crescendo no pensamento do próprio Lacan, me pareceu uma falha grave .

Minha intenção é produzir uma teoria unificada - conseguirei ou não - que possa ser, pelo menos basicamente, psicanalítica, construída sobre conceitos da psicanálise, isto é, produzidos no trato psicanalítico, e que possa eventualmente incluir de tudo .

Minha tentativa foi, então, tomar um conceito estritamente psicanalítico, não existente em outro campo, que é o de Pulsão, fazer dele o conceito fundamental, fazê-lo funcionar e ver se, neste funcionamento, surge um aparelho capaz de ir incluindo as outras possibilidades que porventura se encaixem ali .

Ao invés de explicar tudo, a psicanálise pode ser uma teoria tão geral que vai conectando e aceitando explicações. Esta é a meta .

A psicanálise parece que não tem, ou não teve ainda, pelo menos por enquanto, condições de matematização. Mesmo a chamada matemização, de Lacan, é puramente metafórica, não matematiza nada .

O Inconsciente é maior do que disseram Freud e Lacan: é o HiperIcs .

É claro que o sonho é produzido por desejo. Tem estruturações de linguagem? Tem também. Mas o sonho é produzido como o que se passa no hiperespaço. Nele tem buraco de minhoca, muda-se de região geográfica, de tempo e de rosto num passe de mágica .

A mente compatível com o HiperIcs fura obstáculos, atravessa parede, faz tudo que a física quântica sugere mas não permite .

Esse negócio de real inatingível ou mesmo o real, de Lacan, não existe, só atrapalha a cabeça .

Não há nada atrás do que se sabe. O que há é minha angústia .

Esta teoria foi fundada tendo como fundamentação o excesso, e não a falta. Esta comparece depois. Como alguns não entendem, pensam que digo que não existe falta. É claro que existe, mas é conseqüência do excessivo .

Buda é mais esclarecedor do que Cristo .

Por que podemos dar importância a místicos, poetas e alguns artistas? Porque, às vezes, sofrem o ataque de coisas que não estão ditas em outro lugar e talvez ali esteja indicado algo que nunca vimos, alguém que passou por uma experiência de coisas com que os outros nunca atinaram .

As pessoas parecem pensar que o mundo é certo e que existem uns corruptos, quando é o contrário: a corrupção é a regra. Sempre soubemos que gente é um troço corrupto que se vende por qualquer bagatela .

O Inconsciente é algo que funciona por si mesmo e existem algumas tomadas - prises, em francês - em nós. Somos plugados nesse lugar, nesse hiperespaço, nesse HiperInconsciente, e não o contrário .

Dadas as suposições de um HiperIcs aqui e agora e de uma rede com focos e franjas, nossa abordagem para o entendimento do que seja conhecer tem que ser radicalmente diferente de tudo que se fez até hoje .

Não há sujeito conhecendo objeto .

As pessoas têm o mau hábito de colocar o começo em algum lugar. Não há começo e não há fim. Quando Freud nomeia o campo e começa a sua prática, já estava contaminado por várias teorias, das quais tira uma resultante. Ele jura que tirou da prática, mas juro que foi do delírio .

Se Freud não tivesse tido sucesso onde o paranóico fracassou, seria um maluco .

A psicanálise comum, mais corrente, é cheia de construções mitológicas, erigidas sobre anedotas datáveis .

A psicanálise que preconizo absorve o que quer que seja interessante para seu uso, pois faz parte do HiperIcs .

Quando falamos em culpa ou vergonha, lembramos destes sentimentos ligados a conteúdos e anedotas, mas, se nos desligarmos das anedotas e conteúdos, veremos que, na refrega do mundo, sempre estamos disponíveis para sentir vergonha ou culpa .

Quando há um crime, quem o fez? A lei. O outro só fez um ato .

Como os sintomas são pesados, as coisas velhas ainda estão de pé, mas a guerra civil está instalada. Entendam que, se é global, toda guerra é civil e generalizada .

A Pessoa de que falo é uma singularidade. Não é um indivíduo, um sujeito ou o que se tem colocado habitualmente. Uma singularidade é uma máquina de fazer infinitudes .

A via de salvação, se houver - e não creio que haja -, é pelo absoluto solipsismo. Como o narcisismo não é redutível, tratemos de torná-lo absoluto. Isto, para tornar-se abrangente e, portanto, valer tanto quanto o não-narcisismo .

O cruzamento com o judaico-cristão deu essa joça em que a psicanálise caiu, mas, originalmente, ela é um pensamento solipsista, solitário, egoísta e abrangente .

Para nós, não se trata de trabalhar com os indivíduos, e sim com as Pessoas. Trabalhar com indivíduo é simplesmente fracionar, fracionar, fracionar... e nunca chegar a essa aproximação. Trabalhar com a Pessoa é trabalhar com a máquina de abrangência .

Alguém só deixa de ser egoísta se for muito egoísta, e não porque sê-lo é algo feio. Aí o egoísmo vai ficando abrangente e incluindo .

O núcleo do que antigamente se chamava neurose é pedir ao outro para ser incluído, ser amado .

Como o vetor da Nova Psicanálise é: Haver quer não-Haver, eu não tive sucesso onde o paranóico fracassou, e sim tive sucesso onde o melancólico se perdeu. Minha análise deu certo. Fernando Pessoa também teve sucesso. No regime do poema, ele conseguiu .

Para que serve Psicanálise? Pelo menos para organizar decepções .

O Inconsciente é pura rede, sim, e não existe propriamente Consciente .

Seja para quem for, a escolha sexual é intocável. Nada demonstra que uma escolha sexual seja melhor do que outra .

O ruim na cabeça das pessoas é, quando uma lei ou costume social determina certo ato como ilegal ou errado, atribuir ao portador do ato um erro de constituição .

Quem cria o crime é a lei, e não o contrário .

Precisamos saber que xingar o outro é da ordem do virtual .

A impossibilidade de separar evento e escolha parece ser de uma lógica férrea na consideração dos movimentos do psiquismo. Tomo-a como algo insuperável na mente humana .

É preciso reconhecer que, ao contrário do que se pensa, o Unheimliche é que é o normal, o cotidiano da coisa .

Alguém pensante vive mais em estado de estranheza do que de conforto doméstico .

Já lhes falei do pensamento perplexo: em função da movimentação do Revirão, o pensamento psicanalítico está o tempo todo sujeito a um estranhamento do próprio entendimento do que se terá produzido .

Sabemos que nossa realidade psíquica é que qualquer coisa, mesmo escolhida por nós, caiu do céu; ou que qualquer coisa que caiu do céu acabou sendo escolhida por nós. Nossa loucura fundamental é ficarmos numa situação de impasse, de indecidibilidade e de inseparabilidade disso .

Ao considerar coisas idiotas da mídia como escolha sexual, temos que pensar: é escolha porque não é escolha; ou não é escolha, justamente porque o é. Não há paradoxo nisto, simplesmente está no regime do indecidível e da inseparabilidade entre estas duas coisas .

A questão política é que, em todo grupo social, há um sintoma vencedor, o qual é o colonizador. A mente de qualquer um é colonizada .

A morte há ou não? Em última instância, é também indecidível. Como sabem, gosto de apostar que não há, ou seja, que não terei a experiência dela .

É preciso pensar deste modo e encarar o analisável ou analisando que tivermos diante de nós sob o aspecto da colonização, pois, sem esta consideração, o trabalho analítico se torna impraticável .

A chave universal é o Revirão .

Nossos pressupostos foram tomados do conceito de Pulsão, de Freud, o qual foi aclamado como único conceito fundamental em contraposição aos quatro de Lacan .

Para constituir um teorema temos que insistir na reafirmação permanente de um único ponto .

A chave universal aqui prometida é o Revirão. É chave universal por articular, para além de tudo que já foi proposto, um funcionamento capaz de abranger toda e qualquer emergência com a mesma isenção e com a mesma disponibilidade, ou seja, com a mesma indiferença .

A proposição trazida desde a enunciação d´Alei, como desenho da Pulsão, e o resultado do Revirão, como máquina fundamental, é capaz de acolher todo e qualquer dito ou dizer no campo do conhecimento .

Eu quis acabar com o mistério do Inconsciente. Se a máquina funciona segundo Alei, não há mistério algum .

O estatuto da psicanálise é místico .

Se não há tabula rasa, existe algo outro de que não se fala, que é: a tabula arrasada .

Édipo é uma formação sintomática regional, ainda que de um período longo, de
séculos .

Se saímos do foco de qualquer situação e ampliamos a franja, chegamos a uma persona mundi visível a cada momento da história .

Segundo o Princípio de Denegação, dizemos não porque sabemos do que estamos falando, mesmo que finjamos não saber. Algo entrou, sabemos do que se trata e dizemos não justo porque sabemos .

Eu = Pessoa não é indivíduo, já que não é o sujeito centrado, de Descartes; o sujeito dividido, de Lacan; ou a multiplicidade, de Deleuze. Eu = Pessoa é definível apenas como Rede .

Temos apenas que tratar de amplitudes da Pessoa .

A operação mental da psicanálise consiste em, durante o percurso do que chamo Análise Propedêutica, cada um aprender a continuar sozinho o processo de arrasamento, o processo de indiferenciação .

Tomem as coisas que pensamos que somos nós e destruam .

A psicanálise deve apropriar-se de todo e qualquer conhecimento que acaso lhe interesse como funcional em seu tratamento das questões psi. Isto é, que lhe interesse para o desenvolvimento do seu processo de Cura .

O Inconsciente não reconhece nenhuma propriedade intelectual .

Aponto o valor da arte como pura e simples articulação - intervenção esta iniciada por Marcel Duchamp - a ser considerada como radicalização e generalização do que possa indicar o radical latino ART .

A obra de arte está no lugar do analista e não do analisando .

Nossa oferta de cura é contribuir para facilitar que cada Pessoa, no sentido que já indiquei no Falatório de 2004, tenha emergência como obra de arte .

O que podemos esperar agora de melhor é a perene criação artística das Pessoas, sendo que a polaridade de uma Pessoa sobre um indivíduo biológico humano abrange, para além de sua posição focal, a extensa zona franjal que a constitui como rede que, no limite, alcança todo o Haver .

A referência de nosso uso será no sentido da indiferenciação, e não de levar alguém a determinado comportamento pedido pelo social ou por alguma ideologia. Portanto, qualquer ferramenta nos serve, se nos ajudar no processo de aproximar a
indiferenciação .

O afastamento radical de toda inscrição possível tem como resultado a indiferenciação. Chamo de mística esta ascese no sentido em que ela é o exercício perene da indiferenciação .

A função desejante é absolutamente solta, como Freud já teria dito .

A interdição do incesto é simplesmente uma limitação qualquer para representar o Impossível mediante uma proibição .

A sexualidade não tem sexo .

Está inscrito no etológico dos animais que a sexualidade, por mais que resulte em reprodução, é uma função de prazer. Mesmo entre eles, sexo é sacanagem .

Toda mente e todo amor são narcísicos .

Ninguém dá nada de graça, e isto não existe no Inconsciente .

Se há Revirão, não há universal aí, o que há é freqüência .

Se tivermos um aumento exponencial da tecnologia e organização, não será mais necessário organizar a sociedade sobre limitações eróticas, que são besteiras
inocentes .

O modo de produzir e organizar a sociedade sobre a sexualidade está sendo desmanchado mediante a tecnologia .

A hierarquia sexual ainda em vigor no Ocidente é em função da reprodução, ou seja, é da baixaria do Primário .

Só conseguiremos produzir o esvaziamento por indiferenciação mediante a introdução dos aspectos não vistos, do entendimento do que lá está e a re-clamação dos aspectos não considerados, que é a operação do Revirão .

A máquina de reviramento seria compulsória se não fosse recalcada .

É uma agonística: começar uma análise e continuá-la é, durante a maior parte do tempo, conflituar as formações com outras que possam tornar a coisa indiferenciada. Trata-se, portanto, de disponibilizar a pessoa para o movimento .

A generalização que fiz do conceito de Recalque implica defini-lo como qualquer tentativa de separação, sempre inglória, que funciona mediante forças de pressão agoraqui em exercício para sustentar essa separação .

Vejam, então, que coisa horrorosa é a cabeça da gente. Aquilo de que mais sofremos em todos os arranjos patológicos que se descrevem por aí, é dessa loucura, desse transtorno fundamental, que é necessariamente bipolar .

pode ser uma boa definição de neurose o fato de alguém já abordar as coisas com um discurso pronto sem se deixar tocar por alguma nova aparência que a tal "realidade" possa lhe trazer .

A Nova Psicanálise acolhe toda e qualquer modalidade de intervenção, mesmo as que parecem entre si contraditórias, pois as toma (não como outras teorias, mas) como performances estratégicas e táticas ad hoc que não contradizem necessariamente sua estrutura teórica .

Produzir um analista é saber que há a besteira, mas que se pode pensar fora dela .

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