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NovaMente é o que Freud inaugura com o nome de Psicanálise, o pensamento novo que começou há cerca de um século e vai entrar pelo segundo agora. 

Não há mais como sustentar uma visão estruturalista do mundo. 

Não há pensamento definitivo: para ninguém. 

A Nova Mente que surgiu há um século com Freud, é preciso que ela venha NovaMente à tona. É preciso re-entoná-la NovaMente para que tenha algum futura. 

Precisamos rever todos os conceitos e modos de operação dessa tal psicanálise. Vimos trabalhando nisso há anos e nosso objetivo aqui é resumir o que conseguimos
até agora. 

O conceito de Pulsão é talvez o único que a psicanálise tenha trazido como novo. 

A idéia de que o conceito de Pulsão (Tesão) é o fundamental da psicanálise, é o começo da nossa conversa. No que se apresenta e se configura para nós como isso que vai, tenta o impossível, não consegue, vira ao contrário para procurar a mesmíssima coisa novamente, não consegue, e assim por diante e para sempre. 

Pode alguém narrar, testemunhar, uma experiência de morte? Quer me parecer que é impossível. Por isso, costumo dizer de maneira um pouco arrogante, mas com muita convicção, que A Morte não há - o que não significa que, com o aparelho tão impotentezinho que é o nosso, iremos durar como corpo eternamente no sentido cronológico. 

Todos de nossa espécie vivemos achacados pela idéia de morte, com pena de perder as pessoas que amamos, que certamente vão perecer, assim como nós também iremos acabar. Podemos fazer fantasia, escrever romance, produzir filme, programa de televisão a respeito, mas não fazemos a menor idéia do que seja o mundo sem nós. 

Tudo se artificializa em nossas mãos. Tudo o que fazemos, em qualquer cultura, da mais primitiva à mais sofisticada, é perene artificialização do mundo. 

Somos a espécie louca, a irracional. Racionais são as outras. 

Digo que a psicanálise põe o movimento pulsional como base. Isto significa que é o fundamento de seu pensamento, o que é diferente de acreditar se existe ou
não a Pulsão. 

O estatuto da psicanálise é místico no sentido do afastamento radical das formações do Haver (...). 

Em última instância, o que importa é que tudo que se faz é no sentido de um poder de gozo. 

A história da humanidade é essa brincadeira de dizer não às realidades. Muitas pessoas morreram tentando voar, mas um dia levantamos vôo. 

Nossa mente tem movimentos pulsionais vigorosos que esbarram em certas impossibilidades naturais, espontâneas, ou em certas proibições que o grupo ordenou para sua sobrevivência. Devemos ser obedientes? Mais ou menos, para funcionar... Mas se acreditássemos piamente na obediência, estaríamos até hoje morando em cavernas. 

O reviramento existe como disponibilidade, mas não constitui um imperativo moral. Temos a possibilidade, mas nada obriga. 

A tecnologia tem duas faces, tudo que inventamos movidos por uma vontade poética de criar o novo, imediatamente cai na cultura, vira uma batata quente e começa a pesar sobre nós. 

O importante no esquema que apresento é que o movimento libidinal não demanda senão o seu próprio desaparecimento. Em linguagem vulgar, ele pede a própria morte. Por isso, Freud o chamou de pulsão de morte. 

Para a frente, para onde a máquina desejante nos empurra, sempre há muito mais do que o que quer que já tenhamos conseguido. 

Uma proibição não é senão um fingimento de impossibilidade. 

Se a cultura é uma grande vantagem para nossa sobrevivência, é também uma grande opressão. 

O Poder não é algo misterioso constituído nunca se sabe onde e sempre sem a nossa permissão. Podemos muito bem reconhecer e encontrar suas forças constituintes. 

Na verdade, não há nenhuma diferença substancial entre natureza e artifício, é apenas uma diferença de disposição. 

Análise, talvez a importação deste termo para a psicanálise tenha vindo da química ao tempo de Freud, ou seja, de como entender quimicamente determinada formação dividindo-a em seus constituintes. 

Vivemos, então, no drama de criarmos coisas interessantíssimas... que logo em seguida começam a nos oprimir. Entre essas coisas, ainda que da melhor qualidade, estão as teorias psicanalíticas, que ninguém ainda bem disse ou bem sabe o que são. 

Não se pode provar que antes de Freud a psicanálise não existisse avant la lettre. Existia certamente sem nome próprio ou precisa definição, tendo funcionado por aí durante milênios talvez. 

Hoje, os neuróticos são outros e não adianta disparar mísseis de Édipo contra as pessoas pois elas só morrerão é de rir e têm a resposta já pronta, pois que já conhecem a enedota de antemão. Tudo isto já ficou banal. 

Estamos numa época em que as pessoas estão muito assustadas com esse verdadeiro terremoto de idéias. Quanto a mim, acho divertidíssimo, acho ótimo que a explosão esteja funcionando, pois não é possível que não haja um mundo possível melhor do que esta joça em que vivemos. 

Qualquer sucesso deve imediatamente nos lembrar que tem que estar compartilhado com os sintomas vigentes, caso contrário não seria assim aplaudido. 

O falicismo a que a psicanálise foi reduzida, também não está resolvido na psicanálise de Lacan. 

Coisa difícil para esta nossa espécie saber o que é e como funciona a sexualidade, ou mesmo o sexo enquanto tal - e a morte à qual ele sempre se atrela. 

Não aceito o teorema da castração como é colocado, mas os meus não são os argumentos daqueles e daquelas que foram contra Freud, e afirmo que o Falo, assim colocado, na verdade acabou por se tornar um fetiche da psicanálise. 

Nossa posição é a de derrogar o Falicismo. Não é possível uma sociedade deixar de ser racista se, no âmago de sua própria idéia do que seja, por exemplo, diferença sexual, ela continua viciosamente machista. 

Precisamos, sim, de um aparelho teórico que torne a psicanálise consentânea com o mundo que está vindo por aí. 

Nossa posição é o teorema da Pulsão: o que há é desejo de não-Haver, no psiquismo. E não-Haver não há. Então, não adianta desejá-lo, a não ser por insistência no Impossível, mas este jamais comparecerá. 

A libido quer o Impossível para conseguir (tudo) o que é possível - mas justamente não conseguirá o Impossível. 

Na morte, se a gozássemos absolutamente, conseguiríamos (tudo) o que desejamos, que é o não-Haver, mas não há o lugar desde onde se possa conseguir tamanha proeza, tamanha façanha. 

Vocês podem ficar um tanto perplexos, pois estão cansados de ver necrotérios, cemitérios, gente que morre, atestados de óbito, mas que experiência efetiva algum de nós tem mesmo da Morte?. 

O que chamamos de Morte é na verdade uma experiência de perda (...). 

Experiência de Morte nem mesmo o morto tem. Antes de chegar a Ela, ele já se
ausentou. 

Cada caso é um caso. E cabeça de analista não é lata de lixo das formações culturais. Ele tem que ter a mente capaz de abertura suficiente para poder escutar cada sintoma em sua peculiaridade - e não projetar Édipos e outras estorietas sobre pessoas que eventualmente nada têm a ver com isso. 

O machismo não é a opressão dos homens sobre as mulheres, e sim a opressão, sobre homens e mulheres, de uma idéia que diz que os homens são melhores, no que eles acreditam - e elas também acreditam. 

Existe sim orientação sexual, mas não a que eu queira dar a outros. Há que descobrir qual é. 

Existem muitas pessoas que transam com todos os sexos, e destes não podemos dizer que são homo ou hétero, e sim que circulam à vontade. Aliás, gostar só dos dois sexos não é tudo. 

Todas as pieguices que cada um de nós tem por dentro - quem sou, como sou, como sinto, meus amados sintomas, minha família, minha pátria -, tudo isso vai logologo para o brejo, mais depressa ou mais devagar, como parece que já está indo. 

Termos como neurose, histeria, neurose obsessiva, perversão, psicose, que estamos acostumados a usar até mesmo no nível do folclore contemporâneo, são comprometidos demais com um passado de má qualidade. 

Como estamos tratando da questão da existência e da sobrevivência da psicanálise, acho que, tomada em suas bases mais abstratas, é um pensamento ao mesmo tempo fundamental e de ponta para o próximo século, que será o século II da Era Freudiana. 

O ruim do capitalismo, como já apontou Deleuze, não é ser capitalismo, e sim não soltar as suas amarras e funcionar plenamente como tal. 

Como as pessoas não estão preparadas para este novo Novo Mundo que está caindo sobre nossas cabeças, prepará-las é uma tarefa de cura que, em última instância, é uma tarefa política. 

Não se acredita mais na tal interpretação. Se lançarmos mão de qualquer intervenção supostamente interpretativa, mantendo apenas o sentido de que se trata de um expediente momentâneo, para se continuar a conversa, aí não se faz mal a ninguém, nem à nossa inteligência. 

É preciso um longo e intenso trabalho de análise para nos tornarmos mais indiferentes, neutros, diante das situações que a clínica nos apresente. 

Quero, juntamente com tantos outros, considerar que, efetivamente, é um novo modo de pensar, uma nova mentalidade, uma nova mente que se inaugura com a psicanálise. 

Na verdade, em termos de pensamento no Ocidente, a psicanálise é radicalmente outra coisa que não filosofia ou ciência. 

A psicanálise pode acolher todos os saberes que acaso funcionem para a consideração do Inconsciente. 

A função da psicanálise é a consideração do Inconsciente e pode acolher todos os saberes que funcionam para isto. 

O que Freud apresenta é uma só libido, para além de mal e bem, como fundação de um monismo que se expressa dualisticamente em uma pulsão contrariada pela
resistência. 

Supor que a vida faz esforço para existir é um dos maiores empecilhos do pensamento ocidental. Ela faz esforço para não desistir, apenas resiste. 

A vida é narcísica - como tudo, aliás. Uma vez que acontece, acha-se o máximo. 

Estou fazendo um pouco a crítica da idéia de pulsão de vida, que é justamente aquela pela qual a maioria é apaixonada. Não existe pulsão de vida contra pulsão de morte. A pulsão é uma só, tem um sentido só . 

Tomarei a questão da psicanálise considerada como aquilo que lida, ou pretende lidar, com o Inconsciente enquanto um campo de recepção plerômica. 

A postura é: recepção total. 

Se a psicanálise é um campo de receptividade plena, podemos usar técnicas de qualquer saber. Metemos a mão e tratamos todos os saberes como ferramentas disponíveis. Nem por isso deixando de ter sintoma próprio. 

Acolhemos todos os saberes para nosso uso, mas dentro dos princípios que nos são próprios. 

Não existe saber ou discurso não-ideológico. 

Há aquele que trabalha sabendo que está sendo ideológico com tudo, e aquele que finge que não há ideologia em seu trabalho, só no dos outros. 

Ideologia é a valorização das oposições. 

Definição para ideologia: Formação de formações secundárias (conjunto de idéias), ou seja, pressupostos e crenças, que tem o poder de determinar para uma Pessoa - no sentido que dou ao termo - sua tomada parcial de posição (sua tese) referente a qualquer tema considerado. 

Arrisco a dizer-lhes que Freud é o Moisés da psicanálise; Lacan é o Jesus da psicanálise; Derrida é o Maomé da psicanálise; e eu tento secularizar a psicanálise. 

A única coisa não-ideológica que se pode ter é uma postura. 

Existe algo não-ideológico? Discursivamente, não. Posturalmente, sim. 

O que quer que se diga é da ordem do conhecimento. 

Para fazer um relativismo democrático, temos que ter a competência de entendimento de que as formações de saber são ferramentas e não podem ser crenças. 

Uma coisa é utilizar um saber que, em última instância, sabemos que é ideológico, outra, utilizar o mesmo saber sem reconhecer isto, como se fosse absoluto. 

Ter crença é valorar. Quando trabalhamos qualquer saber como mera ferramenta, não estamos valorando, valorizando, e sim usando porque foi pragmaticamente útil no momento. 

Ao contrário de Nietzsche, digo: só há fatos, não há interpretação. 

O behaviorismo supõe manejar apenas dualidades internas, e não sabe que maneja as outras. Então, não confundir sua ignorância com sua prática. Suas inocência e candura são supor: pão-pão, queijo-queijo. Nós sabemos que nada garante que o resultado seja
este. 

Mediante o princípio da transa entre formações, sabemos que, ao mexer em algo, a conseqüência pode ser completamente diferente do que se pretendia no início. 

É possível uma língua sem sujeito?. 

O sujeito é um buraco, um intervalo entre um significante e outro como representação que ele representa para outro significante, ou seja, é coisa alguma. Aliás, alguém pode me explicar o que um significante pode representar para outro significante? Lacan inventou um aparelho circular que não diz nada. 

A língua portuguesa tem defeitos gravíssimos como não ter o neutro, que faz muita falta para o entendimento das coisas e nos obriga a, por exemplo, chamar a xícara de ela. 

Uma Pessoa é um pólo distinto com foco e franja, podendo ser plural, e que comparece dentro de uma rede conjeturável como infinita. 

Ao considerarmos uma Pessoa, estaremos sempre fazendo um recorte pequeno, dentro do qual, por ser focal, ao mexermos nele, certamente teremos conseqüências longínquas e imprevisíveis. 

Em relação a uma pessoa em análise, estamos lidando com certo pólo, do qual temos certa focalização. À medida que ela vai falando, aparecem franjas insuspeitáveis. 

Uma pessoa, no sentido que estou usando, não é indivíduo ou sujeito, e sim a rede complexíssima que podemos focalizar porque se apresenta com uma polaridade
evidente. 

Não existe análise finita, e sim análise satisfatória . 

Nunca sabemos onde Eu termina. 

O mundo sou eu. 

A cidade sou eu. 

O Haver há sem esta pessoa que se chama eu? Ou seja, o mundo, sem mim, existe? Este é um problema de todas as filosofias. 

Talvez o Haver haja sem mim, mas isto é uma dedução. Porém, efetivamente, sensoriamente, perceptivelmente, etc., o Haver, como experiência, não há sem esta pessoa que se chama Eu. 

O mundo sem mim é pura conjetura minha, pois efetivamente ele não há sem mim. 

Minha polaridade com seus focos e suas franjas, totais, todas, se puderem entrar, constituem o mundo. Não há distância entre eu e mundo. 

Não existe um eu que está fora e considera o mundo. Não existe um mundo que está fora e que me situa. 

Do ponto de vista de nossa visão psicanalítica, não há distância entre eu e mundo. Minha singularidade é o mundo que eu sou. 

Não sabemos onde estão os limites, as fronteiras. O vetor virou ao contrário: não estou na cidade, a cidade é que está em mim. 

Se digo - o mundo sou eu - é porque esse mundo é o conhecimento pleno que tenho. 

Descartes, por exemplo, do ponto de vista de sua época, é um gênio, mas, do ponto de vista do que sabemos hoje, é um idiota completo. 

Há que situar o gênio em seu momento, pois fora dele pode ser uma besta. 

A franja é o reservatório de meu desconhecido, mas está atuando. Esta é a diferença entre consciente e inconsciente, em Freud. 

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