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Há a burrice, sobretudo ocidental, de atribuir autoridade à autoria. Autoria não tem autoridade. Esta é um artifício externo. 

A produção cultural, de bastante tempo para cá, está não poética. Simplesmente, é criatividade em cima do que já se conseguiu - o que nos faz atribuir enorme força aos grandes criadores anteriores: Shakespeare, Cervantes, Duchamp. 

A psicanálise não é filosofia. Ela tem mais a força do que é da ordem da religião, embora não o seja e nunca tentasse ser, pois a religião toma essa força e busca transformá-la em aparelho de dominação das mentes. A psicanálise faz o contrário. 

As filosofias e as ciências são escolhas de pensar a partir não de uma experiência, mas de uma colocação prévia, de um dizer a respeito da realidade. Logo, são relativas: cada um diz o que quer e todas são válidas. 

A referência nuclear, própria, da psicanálise não é o relativismo das Formações do Haver, e sim o Absoluto do Cais. Não é um Absoluto escolhido por mitologia religiosa ou decisão vinda de fora, e sim um Absoluto da experiência da cada Um como a de Todos. 

É assim na vida: entramos nela na porrada e é horrível estar aqui. A psicanálise não promete a felicidade, pois não decidiu o que seja isto. Ela promete que, se você relembrar, fizer a anamnese desse seu lugar originário, ficará em menos mal-estar. 

É preciso, sim, ter respeito ao horror de cada um. Todos vivem no horror, mas, para fingir que não, fazem auto-ajuda. Para nós, trata-se de respeitar o que chamo de solitariedades. 

Quem inventou o Terceiro Império foi Roma. Minha opinião - sem provas - é que, se não tivessem assassinado Julio César, ele teria instalado o Terceiro Império sem precisar dos cristãos. 

A igreja de Roma é remanescência do Império Romano com sua autoridade, autoritarismo, imperialismo e massacre de todos os outros, inclusive cristãos. 

À Nova Psicanálise não interessa o sujeito da filosofia, pois, uma vez que vige no regime do verbo, na categoria do Ser, é sujeito do Secundário. O que interessa à Nova Psicanálise é a Pessoa, que é constituída de Primário, Secundário e Originário. 

Cada um de nós, enquanto Pessoa, enquanto solitário, pode dizer: o mundo sou eu. 

Toda e qualquer autoridade está (não eliminada, mas) suspensa pela psicanálise, pois só tem condições de ser um projeto ad hoc de organização. 

Do ponto de vista do Cais Absoluto, todas as autoridades estão em suspensão. Elas são alguma ficção de alguém, uma ficção, sobretudo filosófica, da constituição do poder, isto é, uma constituição ideológica. 

Há uma diferença enorme entre propor e aplicar uma regra para o funcionamento agoraqui das coisas, e utilizar essa proposição como se tivesse algum direito divino ou razão para ser autoridade. Não tem. 

Verdade só existe uma, que é absoluta: Haver quer não-Haver. Como nada sei dizer a respeito de Haver, então, qualquer outra verdade se torna relativa. 

A solidão da Pessoa - que podemos chamar: O Solitário - se dá enquanto Haver sem mundo, Haver sem Ser. 

Como a psicanálise parte direto da experiência bruta de Haver na total ignorância, na total escuridão, é isto que determina até mesmo as procuras que chamam de Ser. 

O fato de utilizarmos descobertas ou organizações pensadas por filósofos não significa estarmos partindo das mesmas postura e concepção que a filosofia. Filósofos acham coisas que podem ser úteis e interessantes. Aliás, todos são, e não é preciso tomar o partido de nenhum. 

Haver é a pura e simples experiência da porrada de estar aí. 

A relação para com o Cais, qualquer um pode lembrar e, às vezes se lembra não por causa de estar em análise, e sim porque tomou uma porrada na vida. Se não estava em processo de análise, tem grande chance de ficar piradinho. 

A relação de suspensão não existe na filosofia, nem quando tenta falar de epoché. 

Suspensão não é algo específico da psicanálise, e sim de quem sabe fazer essa suspensão. A psicanálise é apenas um campo que tentou capturar essa experiência e dizer sobre
ela. 

Vivemos um momento - felizmente - de re-emergência do pensamento gnóstico em todo o mundo, nem que seja na base do susto. É um pensamento que o Ocidente tentou eliminar e que Freud, com muito cuidado, trouxe de novo tentando, muito sabiamente, colocar como se fosse ciência. 

Haver é experiência em seco, trauma em estado puro. 

Se não tivermos como referência haver um Vínculo Absoluto no fato de todos estarmos traumatizados do mesmo modo, não teremos maneira alguma de fazer vinculação. 

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